Os ‘hostels’ tornaram-se a grande atracção de turistas, diz Rui Moreira, presidente da Porto Vivo (SRU).
Contar quantos ‘hostels’ (alojamentos de baixo custo) abriram nos últimos anos no centro do Porto é uma tarefa difícil mesmo para quem está a investir neste ramo de negócio. São seguramente mais de 25 as unidades em funcionamento, elogiados por turistas e cibernautas, e classificados entre os melhores da Europa.
A reconversão de prédios antigos, muitos deles até há poucos anos ocupados por empresas de serviços e comércio, tem devolvido nova vida aos centros das cidades. “Os ‘hostels’ tornaram-se a grande atracção dos turistas e são eles que estão a dar vida à cidade”, atesta o presidente da Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), Rui Moreira.
Destacando a importância para a reabilitação da Baixa do Porto das parcerias público-privadas e do investimento privado, Rui Moreira menciona o impacto que está a ter na cidade a reabilitação do eixo das ruas Mouzinho/Flores, onde existem vários casos de projectos em curso. “A minha percepção é que há alteração do uso dos imóveis e a situação dominante é a procura para alojamento local”, refere o director municipal do urbanismo da Câmara Municipal do Porto, José Duarte.
Interessante seria conhecer o número de licenças atribuídas pela autarquia nos últimos anos, embora esta situação “não seja ainda possível porque o sistema informático não está preparado”, adverte ainda José Duarte.
O arquitecto portuense Nuno Grande testemunha essa realidade, tendo sido o mentor da criação de um hotel de charme num imóvel reabilitado para o efeito. “Ultimamente, o movimento mais comum é a transformação de velhos edifícios, que já tinham sido utilizados para habitação, há um século, e que depois se tornaram em edifícios de escritórios – com a terciarização do centro – em hotéis de charme, ‘hostels’, ou em apartamentos para arrendar, sobretudo a turistas”, explica o arquitecto.
Porém, para Nuno Grande, a reabilitação das cidades está muito dependente das alterações à lei das rendas e da legislação relacionada com o licenciamento. “Com as mudanças no mercado de arrendamento, talvez se perspective a possibilidade de se arrendarem pisos para novos residentes, sobretudo para jovens casais, ou famílias não muito numerosas e que não estejam tão dependentes do automóvel e do estacionamento”, salienta.
Tendênciaspara reabilitação
O arquitecto Nuno Grande salienta as tendências da reabilitação já visíveis nos centros das cidades. Nos edifícios com vários pisos e nas habitações de maiores dimensões é possível conciliar a residência familiar, o local de trabalho, um atelier e ainda uma loja. Estes espaços são utilizados preferencialmente por profissionais liberais ou criadores – artistas, ‘designers’, estilistas, arquitectos – “que gostem de viver e trabalhar, colectivamente, no mesmo edifício”, diz Nuno Grande.
Mas nem tudo tem corrido bem na reabilitação do centro do Porto. “A Porto Vivo não está a organizar esse tipo de procura, optando pelo ‘target’ famílias-tipo, mais numerosas, com altos ‘standards’ de exigência, gostos padronizados e, pelo menos, dois automóveis, e que não serão, certamente, as que vão repovoar a Baixa”, descreve Nuno Grande. Para o arquitecto, estas famílias já não querem regressar ao centro. “Não percebo porque se insiste nesse tipo de promoção imobiliária”, conclui Nuno Grande.
Fonte: Económico