A ESAF, de José Manuel Salgado, quer finalizar a recuperação de oito edifícios em carteira e só mais tarde poderá pensar em novos projectos.
A proposta de alteração da lei do arrendamento urbano, actualmente em apreciação e aprovação no Parlamento, e o alargamento a toda a malha urbana da cidade de Lisboa do IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) de 6% nas obras de reabilitação de prédios têm impacto na indústria.
“Toda a cidade, na generalidade, necessita urgentemente de um ‘propulsor’ de regeneração que bem poderá ser pela via da ‘motivação fiscal’, para que se inicie de forma estruturante ambos os processos da reabilitação dos edifícios e do espaço urbano circundante. A reabilitação de um prédio, em que são mantidas as fachadas e reerguida uma nova vida dentro do edifício, é um processo de quase ‘relojoaria’, caro e demoroso, que tem de ser apadrinhado por todos, essencial para se manter a história e a traça típica de uma cidade”, explica o director da ESAF – Espírito Santo Activos Financeiros, José Manuel Salgado. Mas há mais: uma estrutura fiscal eficiente e crescimento económico. Em relação à primeira, é preciso que “o Estado optimize a sua receita em termos de médio prazo, e não de curtíssimo prazo, para que entretanto o mercado se ajuste”, defende José Manuel Salgado.
O segundo ponto combina o crescimento económico e o aumento do rendimento disponível das famílias, factor indispensável para “enquadrar a opção pelo arrendamento”, confere o gestor. E explica: “De futuro, pela via do crédito, será mais difícil a compra de habitação. Portanto, fica a restar o arrendamento. Mas aí será necessário perceber o que tem de ser feito do lado da oferta e perceber a rigidez da procura”, adianta.
Carteira de oito edifícios
A carteira actual da ESAF é composta por oito edifícios para recuperação, no centro de Lisboa e para diferentes alvos. “Temos estes projectos, queremos terminá-los e vendê-los”, confessa José Manuel Salgado. No futuro, a ESAF tem dúvidas sobre se avança para novos projectos de recuperação para arrendamento devido à fiscalidade. “Actualmente temos produtos acabados que, em termos de rendas, podem gerar retornos entre 3 e 5,5%. O problema é que os proprietários terão de englobar essas rendas nas receitas totais. E o que recebem no final do dia é muito pouco, ainda para mais é preciso somar as despesas de conservação e manutenção do imóvel”, lembra.
Para a ESAF, apenas interessam projectos no centro da cidade, que acrescentem valor ao cliente. “O projecto tem de ser bem pensado e a oferta final deve representar um valor acrescentado na óptica do comprador”, comenta José Manuel Salgado. “A localização, os materiais, os acabamentos, a garantia do construtor e de quem vende são factores determinantes para o sucesso das operações imobiliárias”, conclui.
Propostas do gestor
José Manuel Salgado, Director da ESAF
José ManuelSalgado, administrador da ESAF, identifica três condicionantes do mercado de arrendamento: primeiro, a rigidez da mobilidade laboral no curto prazo; segundo, a incapacidade dos proprietários para pagarem as indemnizações propostas no projecto de lei das rendas, como também para efectuar a reabilitação do locado. Para este último aspecto, José Salgado propõe a associação entre financiadores, promotores, fundos imobiliários, programa Jessica; em terceiro, um Plano Director Municipal virado para a cidade, com formas expeditas e objectivas no enquadramento e tempo de qualificação dos pedidos de processos para isenções de IMI e de IMT.
Activos imobiliários da ESAF
1.091
O património imobiliário da ESAF valia 1.091 milhões de euros em Janeiro de 2012: Gespatrimónio Rendimento (655 milhões); ES Logística (158 milhões); fundos Reconversão Urbana e Reconversão Urbana II (43,5 milhões) e outros fundos fechados (234 milhões).
8
A ESAF está a concluir a recuperação de um edifício habitacional na Rua Rosa Araújo, 49, em Lisboa. O seu custo total eleva-se a oito milhões de euros e corresponde à reabilitação de nove apartamentos, com valores entre um e dois milhões de euros cada.
Fonte: Económico